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segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Dia do estudante

Como outras datas marcantes do calendário nacional, o 11 de agosto nos aponta a possibilidade de refletirmos sobre a importância da participação do estudante na vida social, política e cultural do povo brasileiro.

Até o ano de 1827, era comum a elite brasileira mandar seus filhos para as terras de além-mar para estudarem o curso de Direito, na universidade de Coimbra. Devido ao elevado número de jovens que deixavam o país para esse fim, e por causa de outros que desejavam também estudar fora e por razões diversas não o faziam, D. Pedro I, no dia 11 de agosto daquele ano, decidiu criar dois cursos jurídicos no Brasil, um na histórica cidade de Olinda, em Pernambuco, e outro em São Paulo, cujo início das atividades se deu em primeiro de março de 1828, alguns meses após o ato de sua criação.

O curso de Olinda não permaneceu lá, naquela maravilhosa cidade, hoje patrimônio mundial da humanidade, sendo transferido para Recife pouco tempo depois do início de suas atividades. O de São Paulo continuou funcionando no convento de São Francisco, localizado no coração da metrópole. Hoje o prédio do convento pertence à universidade de São Paulo, pois em 1934, ele foi incorporado a ela por uma decisão governamental do ex-presidente, Getúlio Vargas.

A assinatura do ato do imperador, criando os cursos de Direito, no Brasil, transformou-se num marco de grande destaque da educação brasileira. Foi tão significativo que cem anos mais tarde, por sugestão de Celso Gand Lay, esse 11 de agosto se tornou oficialmente o dia do estudante.

Pelos bancos escolares daqueles dois cursos, o de São Paulo e o de Recife, passaram políticos importantes, literatos de renome, artistas consagrados e outras celebridades que muito contribuíram para o amadurecimento da intelectualidade brasileira.

Hoje a importância da data deve ser vista não só sob os holofotes da intelectualidade, mas também pelo que representa o estudante, desde o seu nascimento até sua formatura, ou até o dia em que, por uma razão ou outra, se vê forçado a abandonar os bancos escolares.

Na educação infantil, a alegria contagiante, as brincadeiras de roda, as curiosidades, as fantasias, o desejo inconsciente de aprender e a vibração diante de cada descoberta são coisas que nos encantam, pois nos leva de volta ao caminho da infância, dando um colorido especial à vida, purificando assim o nosso modo adulto de ser.

Seguindo, no Ensino Fundamental, fase de muita agitação, de dúvidas, de incertezas e de indefinições, o estudante paulatinamente toma consciência das dificuldades, passando a agir como um herói, tentando transpor os obstáculos que surgem, trazendo dificuldades à transição de sua fase pueril à adolescência.

Saindo do Ensino Fundamental, vem o Ensino Médio, tirando dos sonhos discentes seu matiz colorido, para dar lugar às contradições da realidade. Mais maduro, consciente, o estudante sabe que é preciso aproveitar sua força, sua vontade e juventude para buscar a realização de seus objetivos. E realizar objetivos significa lutar para superar os obstáculos do mundo e as complexidades da vida.

O estudante do curso de graduação é o resultado do que ele vivenciou e aprendeu, desde o nascimento até suas experiências acadêmicas. É como uma escada que nos leva às alturas, através do exercício de escalar a trajetória do saber, superando, passo a passo, degrau por degrau. Não podemos, pois, nesse instante em que discorremos sobre o dia do Estudante enaltecer apenas a figura do estudante de nível superior, já que nele reflete todo o conhecimento acumulado e experiências vivenciadas ao longo dos dias; logo sua realidade de sujeito que incorpora atributos racionais e emocionais próprios de cada ser humano é que deve ser valorizada.

Há pessoas que dizem que o estudante é o futuro do país. Mas não é só isso. O estudante cravou suas pegadas no registro da história. Foi corajoso, valente, enfrentou lutas, dificuldades, autoritarismo e arbitrariedades. Foi preso, julgado e condenado impiedosamente. Muitos foram torturados, expatriados, outros mortos sob o estrondo das bombas disparadas pelas mãos da ditadura. Mas valeu. Valeu porque, apesar das crueldades, nossos mártires estudantis foram determinantes na construção de uma bela história na qual se refletem os ideais de justiça e de liberdade.

O estudante é presente. Presente em nossa memória por tudo que realizou com luta e sacrifício. É presente no tempo, pela alegria pueril, pelo jeito especial de viver adolescentemente, pela força jovem de enfrentar as lutas e pela maturidade que emana do testemunho que, com determinação e consciência, semeia em sua fase adulta.

O futuro do estudante é a soma do que ele foi mais o que realiza no instante presente. E quanto mais dedicação, agora, melhores condições ele terá para continuar contribuindo decisivamente em prol da construção de um mundo em que os princípios de justiça possam ser realmente praticados.

Parabéns, estudante! Continue escrevendo, nos caminhos da esperança, essa história maravilhosa que acrescenta uma série de valores indispensáveis à construção de uma sociedade mais justa, humana e solidária. Seja sempre um forte na busca constante do saber, sem esquecer que o mais importante é ter humildade para partilhar o conhecimento com aqueles que mais precisam. Esse é o melhor modo de praticar a cidadania e de cumprir a responsabilidade de cidadão fraterno, abnegado e consciente da importância de seu papel na sociedade.

Estudante, não desanime! Siga em frente acreditando que sua força e sua participação séria, honesta e consciente são indispensáveis ao processo de transformação de sua individualidade enquanto sujeito e, por conseguinte, da realidade que o cerca. E quando as coisas se mostrarem difíceis, saiba que a fé e a força de vontade são os segredos que acompanham a trajetória dos grandes vencedores. Portanto, força! Muita força! Pois enquanto houver empenho, luta e vontade de vencer, haverá esperança de uma sociedade melhor para todos.

(Professor Doniseti)


Um comentário:

  1. que bom que essa redaçao apareceu pois meu professor de redaçao pediu para que eu fizesse uma redaçao justo para eu apresentar no dia do estudante e eu estava sem ideia:)

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