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sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Eleições municipais 2012

O dia 7 de outubro de 2012 se aproxima. Com ele, as expectativas de mais um pleito eleitoral. Os candidatos intensificam os trabalhos de campanha, vão para o corpo a corpo com o eleitor, faz suas projeções à espera de um final feliz.
Nesse momento, todos têm chances, tanto os que são animados pelos resultados das pesquisas, quanto aqueles considerados de pouca probabilidade eleitoral. Para estes, a verdadeira pesquisa está no voto do eleitor que, por ser secreto, ninguém sabe como vem, nem para onde vai. O certo é que todos sonham com o sucesso e é graças a esse sonho que as forças se renovam e a campanha ganha um colorido especial.
Essa corrida eleitoral, como sempre, revela algumas coisas que nos deixam apreensivos em relação às possibilidades de mudança da nossa realidade. Grande parte dos eleitores se mostra indiferente, sem muita empolgação. Estão descrentes em relação à política e aos políticos.
Não é pra menos. A prática da corrupção, antes escondida, hoje evidente, contribui para esse sentimento do eleitor. No domingo (16/9), num encontro familiar, ouvi depoimento de algumas pessoas mais experientes, dizendo que iam anular o voto, pois os políticos são todos corruptos. Para sustentar essa tese, ressaltaram a participação de toda uma geração que lutou bravamente para a queda do regime militar, defendendo princípios éticos, justiça social, honestidade e probidade administrativa. Hoje, muitos daquela liderança que seguiu uma trajetória linda rumo à democratização do país, estão no banco dos réus, sendo julgados pela Suprema Corte (STF), pelos crimes de formação de quadrilhas, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e tantos outros.
Três dias depois, minha filha, de 17 anos, foi participar de um treinamento profissional e dentre as atividades propostas, todos deviam escrever uma redação. Dos temas sugeridos, um era política. Quando o instrutor os apresentou, espontaneamente, quase em coro, os jovens refutaram e descartaram a política. Quando questionados, alguns disseram que política é só corrupção e roubalheira, por isso preferiam falar de outros assuntos.
Dois momentos distintos, duas situações importantes, envolvendo dois grupos de realidades e experiências tão diferentes. Todavia, o mesmo sentimento: descrença, revolta e indignação. Descrença em relação a mudanças, revolta por causa dos escândalos e indignação pela vergonha de terem que participar da eleição de tantos oportunistas e usurpadores.
Diante dessas colocações, fiquei pensando o que poderia ser feito, para apagar esse negativismo das pessoas. Algumas coisas estão avançando, mesmo que num ritmo aquém do que desejamos. Antes a corrupção existia, sem que alguém pudesse fazer alguma coisa para combatê-la. A imprensa era bombardeada com choques de silêncio, vozes se calavam ante os horrores da repressão, a sociedade emudecia, temendo represália.
Hoje, muita coisa mudou: a liberdade de expressão que conquistamos facilita sobremaneira o acesso às informações e nos possibilita conhecer melhor as propostas e a vida das pessoas nas quais estamos votando. O acesso às informações dá condições ao eleitor de avaliar os candidatos e de escolher aqueles mais corretos e comprometidos com a decência, com a justiça e com a honestidade. Por isso, em vez de alimentarmos a descrença por causa dos crimes de muitos, vamos aproveitar os instrumentos e a força que temos para substituirmos os maus políticos por outros melhores.

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