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quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

O Brasil no ranking educacional

O Brasil ficou em penúltimo lugar no ranking global que avaliou a qualidade de educação em 40 países. Trata-se de uma pesquisa realizada pela consultoria britânica Economist Intelligence Unit (EUA), encomendada pela Pearson, com o objetivo de apresentar uma visão geral do desempenho escolar de alunos da educação básica até os 15 anos.
Os pesquisadores compilaram dados do Programa Internaconal de Avaliação de Estudantes (PISA), do documento Tendências em Estudo Internacional de Matemática e Ciências (TIMSS) e do Progresso no estudo Internacional de Alfabetização (PIRLS), avaliando fundamentalmente habilidades cognitivas e realizações educacionais, no período de 2006 a 2010.
Mesmo com essa defasagem estatística de três anos, creio que hoje o resultado não seria diferente, pois pouco se fez em termos de nação, para provocar uma mudança significativa na educação brasileira. Muitas de nossas autoridades não veem a educação como prioridade e não se empenham para melhorá-la. Assim, não desenvolvem ações concretas, visando à mudança do atual quadro em que ela se insere.
A análise dos resultados da pesquisa nos faz compreender que a qualidade da educação tem muito que ver com o olhar de cada país sobre a importância do ensino. Os dois melhores sistemas educacionais do mundo, segundo o ranking, estão na Finlândia e na Coreia do Sul, o que nos pode dar uma falsa ideia de que eles se organizam da mesma forma. Apenas para ilustrar, na Coreia do Sul, há uma rigidez muito grande no modo de organização e funcionamento escolar, enquanto, na Finlândia, há mais flexibilidade e liberdade no desenvolvimento educacional.
Essa diferença mostra que a qualidade da educação está ligada à cultura que valoriza o aprendizado e não aos modelos educacionais. E essa valorização é um ponto comum aos sistemas finlandês e sul coreano. Em ambos, há um grande esforço para fomentar a cultura nacional do aprendizado, valorizando professores, escolas e educação como um todo. Talvez essa seja a razão do alto desempenho das nações asiáticas, no ranking, já que as melhores classificadas estão naquele continente.
Esse banco de dados, chamado pela Pearson de “Curva do Aprendizado”, mostra o quanto temos que fazer para alcançarmos uma educação realmente de boa qualidade. Um país com a grandeza do Brasil deveria aparecer entre os 27 melhores do ranking, já que os demais, da 28ª classificação em diante, figuram abaixo da média. Todavia, em vez disso, vergonhosamente, estamos no grupo dos piores, ocupando o penúltimo lugar, superando apenas a Indonésia.
Está na hora, portanto, de a sociedade e autoridades brasileiras fazerem alguma coisa para mudar esse quadro no futuro. Penso que deveríamos começar, atraindo bons professores, como fazem a Finlândia e Coreia do Sul, dando-lhes uma boa formação e encontrando maneiras de motivá-los, melhorando as condições de trabalho e pagando-lhes um salário condizente com a grandeza e a qualidade dos serviços prestados. Se assim funciona na Finlândia e na Coreia do Sul, certamente, funcionará no Brasil também.

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