sexta-feira, 2 de julho de 2010

Educação

Busca de uma prática educativa e prazerosa

Alguns problemas envolvendo nossos jovens, adolescentes e crianças trazem sérias dificuldades às famílias, à sociedade e aos educadores, dentro e fora das salas de aula.

Uma abordagem menos profunda pode-nos levar a relacionar tais problemas a questões financeiras, falta de investimento na educação, ausência de apoio familiar, excesso de proteção e conivência dos pais. Todavia, se avançarmos nessa reflexão, vamos constatar que nem sempre as evidências são coerentes com o que julgamos ser verdade.

A primeira coisa que devemos considerar é que tanto os alunos da escola pública, quanto os da rede privada enfrentam sérias dificuldades existenciais, no decorrer da trajetória escolar,
seja na infância, na adolescência, ou na juventude.

Alguns educadores atribuem a origem de tais problemas à realidade financeira do aluno e à falta de apoio familiar que, no fundo, decorrem da mesma razão, ou seja: necessidade de os pais se ausentarem do lar para labutarem profissionalmente, ou para enfrentarem as barreiras do subemprego, em busca de sobrevivência.

Se fosse verdade que os problemas infanto-juvenis decorressem das dificuldades financeiras, os alunos ricos não passariam por nenhuma crise existencial. No entanto, mesmo sendo alicerçados em famílias, do ponto de vista social e econômico, bem posicionadas, eles também padecem insatisfação e tristeza.

É verdade que os alunos pobres sofrem com a exclusão, com a falta de assistência médica, de moradia decente, deficiência alimentar e com a falta de recursos financeiros para realizarem a utopia de seus desejos de consumo. Enfim, esses alunos não têm as mínimas condições para praticarem a educação com gosto e qualidade devido à falta de oportunidades na vida.

Essa não é a realidade dos alunos da elite privilegiada. Estes não precisam ajudar suas famílias, com gorjetas auferidas de atividades trabalhistas autônomas, ou até mesmo do subemprego. Ao contrário disso, eles fazem cursos extracurriculares, estudam em escolas privadas, com invejável infraestrutura, podem pagar professores particulares, para aulas de reforço, tendo, pois, acesso a mais informações, o que aumenta muito o leque de oportunidades que a vida lhes oferece.

Apesar dessas oportunidades, os alunos com alto poder aquisitivo também se angustiam, talvez pelo fato de serem privilegiados, sofrem com as cobranças da família e da sociedade. Por terem plenas condições de sobrevivência, de acesso a uma boa educação, à cultura, a um bom plano de saúde, a viagens e a diversas formas de lazer, eles se sentem pressionados a alcançarem um bom desempenho em tudo que fazem. Nos estudos, então, precisam ser bem sucedidos, conquistando sempre resultados cada vez melhores.

Já os alunos das camadas populares não sofrem tanto com os insucessos. Talvez por vivenciarem, desde pequeno, as inúmeras dificuldades de seus familiares, eles lidam, com mais tranqüilidade, no enfrentamento de suas desventuras. Desse modo, não se mostram muito preocupados com os estudos, com as notas perdidas, com as reprovações, sendo tudo compensado pela alegria e o prazer da convivência no ambiente escolar.

A escola, para os alunos pobres, é mais que um espaço educativo, é um ambiente de encontro, de amizades e de namoro. Isso nos ajuda a entender porque muitos deles, ou a maioria, amam verdadeiramente suas escolas, mas não gostam de estudar. Já, para os alunos ricos, a escola representa um espaço educativo, por excelência, para atender às cobranças familiares e sociais. Tais cobranças, às vezes, são tão exageradas que trazem, como conseqüência, sofrimento, angústia e infelicidade.

Diante dessa realidade, cabe às famílias, à sociedade e às instituições de ensino repensarem suas ações educativas para que a escola seja, ao mesmo tempo, um lugar de aprendizagem e aprazível para os alunos. Talvez seja importante aproveitar o gosto que os alunos das camadas populares têm pela escola, como espaço de convivência, e a busca da chamada “excelência educativa” praticada pelos alunos das famílias detentoras de maior poder econômico. Esse contraponto pode ser um caminho possível para avançarmos na construção de uma proposta pedagógica que viabilize uma prática educativa ao mesmo tempo de qualidade e prazerosa.

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