Professor Doniseti
A escola, para alcançar satisfação na prática do ensino, precisa descobrir formas inovadoras que envolvam os diversos sujeitos que se interagem no processo de aprendizagem. Sem isso, ela pode perder o fôlego da sobrevivência e os resultados podem acabar provocando instantes de infindáveis frustrações.
O educador Paulo Freire falou muito, e nos fala ainda, da importância de práticas educacionais que valorizem as experiências dos sujeitos da educação. Não há dúvida de que a partir do momento em que se trabalham os diversos saberes em sala de aula, há mais envolvimento e melhor aprendizagem.
Muitos são os educadores que procuram seguir esses ensinamentos do mestre; contudo, isso só não basta. O reconhecimento do outro como ser humano que merece respeito pelo que é, e não pelo que tem, precisa fazer-se presente nos programas e práticas educacionais.
O desenvolvimento de um programa solidário dar-nos-á condições de aprendermos a partilhar o que há de essencial em nós para melhorarmos a convivência com o outro, dando um melhor sentido à nossa vida e, por conseguinte, a vida de nosso semelhante.
A presença de um espírito solidário no conteúdo dos programas educacionais possibilitará uma prática também solidária. Vários educadores já trabalham nessa linha, respeitando as diferenças de cada aluno e respeitando suas experiências. Porém são práticas não contempladas ainda nos currículos escolares, razão por que não se refletem no sistema educacional como um todo.
Uma proposta pedagógica que leve em conta as diferenças de idade, de experiências de vida e de saberes acumulados pelos alunos deve partir de iniciativas que busquem mais solidariedade e menos competição. Numa mesma turma, é possível identificar necessidades e dificuldades comuns a um determinado grupo de alunos. Sendo diferentes as pessoas, diferentes também são seus interesses. Logo, a realização de um trabalho com pessoas que se agrupam conforme suas necessidades e aspirações possibilita maior envolvimento e participação efetiva, no cumprimento das tarefas apresentadas.
Não me parece nenhum absurdo, nem exagero trabalhar numa mesma turma com diferentes grupos, na abordagem de um determinado assunto. Pelo contrário, seria por demais enriquecedor. Não há razão para que as aulas sejam quase sempre padronizadas como se o resultado da aprendizagem pudesse se aferido de igual modo. A todos deve ser dado o mesmo ponto de partida, mas o momento da chegada vai depender das peculiaridades de cada um. E se o ritmo da aprendizagem é diferente, as estratégias pedagógicas também devem ser diferenciadas, caso contrário, os alunos ficarão predispostos ao desinteresse pela aprendizagem.
A construção de uma educação respeitosa, qualificada, que leve em consideração os interesses e necessidades dos alunos, passa pelo desenvolvimento do espírito solidário de todos os educadores, seja nos níveis da pré-escola, Ensino Fundamental, Médio ou Superior.
Sabemos que fazer educação, segundo tais pressupostos, não é fácil, mas é uma questão que deve ser pensada. Não adianta aplicarmos métodos antigos numa realidade diferenciada, com características desafiadoras e criativas. Devemos, pois, buscar outros caminhos para o nosso bem, para o bem dos nossos alunos, da nossa sociedade, do nosso país, enfim, do mundo. Precisamos aprender a praticar uma educação realmente para a vida.
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