terça-feira, 29 de setembro de 2009

Convívio familiar

Importância do convívio famíliar
Professor Doniseti


A crescente modernização por que passa o mundo tem afetado muito o convívio das pessoas em casa, provocando o isolamento delas que, dividindo o mesmo espaço, não conseguem viver familiarmente.

Há um passado não muito remoto, as pessoas se encontravam, e se divertiam mediante qualquer situação. Nos finais de tarde, um banco de madeira improvisado à frente de uma residência era o suficiente para as pessoas pararem, conversarem e conviverem socialmente.

Essa prática gostosa ocorria também dentro de casa, no seio das famílias, que se reuniam para conversarem, contar histórias, piadas e causos. Cada um participava a seu modo, uns com melhor desenvoltura, outros com certo acanhamento, mas participavam e eram igualmente respeitados por todos.

Em geral, as pessoas não eram escolarizadas, mas demonstravam boa competência em oralidade, porque aquela convivência, aquela interação constante possibilitavam um desenvolvimento notável na realização da oralidade.

Hoje, esse modo de convivência findou. Dentro de uma mesma casa, as pessoas se isolam. Uns gostam de televisão, vão para um quarto assistir às suas programações de preferência. Outros gostam de videogames, vão para outro quarto. Quem gosta de computador permanece noutro local da residência para buscar a satisfação de sua necessidade individual.

Esse processo de isolamento das pessoas dentro de casa é tão sério que quase não se acha tempo para nada. Às vezes, nem para deixar um recado importante ou discutir uma questão essencial à dinâmica da vida familiar. Há um desencontro constante e quase nenhum convívio no seio familiar.

Essa realidade torna as famílias vulneráveis. A falta de diálogo, de comunicação e de interação familiar levam à perda da solidariedade e do espírito fraterno. Os equipamentos com os quais as pessoas interagem dentro de casa são frios, perversos e desalmados. Todos exigem atenção exclusiva, mobilizando os principais sentidos da percepção humana. Ver televisão, jogar videogame, operar computador, envolvem o aspecto visual, auditivo e tátil, logo dificulta o acompanhamento do que se passa fora dessas potentes e avassaladoras máquinas.

Mas a família faz falta, muita falta, na vida de todos. Precisamos resgatar o seu verdadeiro significado e seu real valor. Pelo menos, alguns momentos precisam ser dedicados ao convívio familiar. Seria importante que todos se encontrassem no café da manhã, no almoço, no jantar e nos finais de semana. Esses instantes devem ser da família e não das dominadoras máquinas que acabam escravizando as pessoas no ambiente doméstico.

Não sendo possível conciliar os horários de todos para esse convívio familiar, é necessário estabelecer algumas regras, determinando limites que possibilitem o encontro uns com os outros pelo menos para os diálogos e comunicações indispensáveis à dinâmica familiar.

Nós adultos deveremos ensinar os filhos, os netos, bisnetos e até os tetranetos a conviverem familiarmente. Essa prática na fase pueril dá um retorno impressionante, já que as crianças aprendem com o testemunho dos adultos e o que aprendem praticam com naturalidade, sem segredos e sem hipocrisia.

Observando os exemplos dos adultos, as crianças vão aprendendo, praticando, amadurecendo e fazendo escolhas. Sendo bom ou positivo o nosso testemunho, este será para elas o melhor ensinamento. A formação e a aprendizagem começam e permanecem em casa, por isso, concordamos que a boa educação tem sua origem no berço da própria família.

Sendo a família a primeira instituição educacional, precisamos fortalecê-la. Seu fortalecimento implica uma mudança de atitude, principalmente dos adultos para influenciar o comportamento dos pequenos. É preciso ensinar o caminho em que devem andar, enquanto andamos com eles. Não basta instruí-los com palavras, é preciso vivenciar, testemunhar. Desse modo, a semente será plantada e confiando que cada um colhe segundo o que semeia, se cuidarmos bem dessa plantinha, no futuro, colheremos os resultados positivos para o fortalecimento de nossas famílias e conseqüentemente para o bem da nossa sociedade.

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