terça-feira, 29 de setembro de 2009

Preparação para a vida

Preparação para a vida
Professor Doniseti


A preparação para a vida é um desafio que se coloca para a sociedade, o poder público e o setor privado, que precisam garantir o direito que cada ser humano tem de exercer plenamente a sua cidadania.

Quando falamos em preparar para a vida, não circunscrevemos o sentido dessa expressão aos limites do pastiche, ou dos efeitos medíocres de uma frase enunciada mecanicamente, parecendo dizer muito, sem a clareza devida de sua real força de expressão.

Preparar para a vida significa especialmente dar condições ao indivíduo de conhecer bem a si próprio, de desenvolver sua autonomia sua consciência, para tomar decisões, sabendo da responsabilidade que elas implicam. Tudo que fizermos para o outro, voltado à construção do auto-conhecimento, será uma preparação para a vida, já que para convivermos bem, social e profissionalmente, primeiro devemos estar bem com nós mesmos.

O auto-conhecimento possibilita desenvolver o senso de responsabilidade, tolerância, solidariedade, ética e cidadania, condição indispensável a uma vida em sociedade e a uma sociedade em transformação.

Preparar o sujeito para ser de fato cidadão não se resume, pois, em transmitir-lhe ensinamentos; significa caminhar com ele, na construção de conhecimentos. A prática da construção do saber é a melhor forma de desenvolvimento da autonomia e do senso crítico e criativo do ser humano.
Esse conceito de processo formativo é interessante, pois nos deixa em condições de constante aprendizagem. Ele desmonta a concepção, segunda a qual, uns sabem muito e outros pouco sabem, o que abre a perspectiva de que os vários níveis de conhecimento e os saberes diferenciados possibilitam tanto a quem instrui quanto a quem é instruído aprenderem um com o outro.

A preparação para a vida ocorre então, quando trabalhamos na perspectiva de darmos ao sujeito possibilidades de exercer seu papel social na comunidade em que vive, na igreja em que congrega, nas entidades representativas dos segmentos sociais e profissionais. O sujeito pode até não exercer um papel de liderança, mas deve ser preparado, pois no momento em que surgir a oportunidade, desejando ele aproveitá-la, estará pronto para tal.

O conceito de preparar para a vida não se limita à visão do mercado de trabalho. O trabalho é um componente importante da vida do cidadão, mas não contempla a totalidade da dimensão humana. Preparar única e exclusivamente para o mercado seria tirar o que há de mais sagrado do ser humano, ou seja, a possibilidade de ele crescer integralmente, buscando sua realização pessoal em todos os aspectos da vida, incluindo nisto as atividades trabalhistas. Quando se trabalha com esse conceito de formação humana, tudo que o sujeito realiza pode ser prazeroso e agradável. Nesse sentido, o trabalho figura não como fim único, como labor difícil, penoso e desgastante, mas como um exercício educativo, de descoberta, de crescimento e de complemento da personalidade.

O sujeito, antes de ser um trabalhador, é um ser humano dotado de outros atributos, aspirações e desejos. Sua formação integral possibilita-lhe o desenvolvimento da autonomia para, inclusive, buscar sua auto-realização, sua felicidade e seu prazer naquilo que faz. Com isso, ele aprende a aprender, a conviver e a buscar estratégias de aprendizagem que a vida, o mundo e a sua realidade lhe oferecem.

Enfim, tudo o que somos e o que realizamos deve ser visto como um processo de formação permanente, já que a vivência e a experiência de cada um nos permite tirar infinitas lições de aprendizagem. Desse modo, cada sujeito pode ser, ao mesmo tempo, professor e aluno de si mesmo. Cada um, tendo consciência da importância que representa o que faz para a sociedade e para o mundo, independente da idade, certamente será feliz, explorando a cada dia a potencialidade de sua força em favor do bem comum e do social. Agindo assim, creio que poderemos mudar muita coisa nesse mundo. Portanto, façamos a nossa parte!

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