terça-feira, 29 de setembro de 2009

Violência

A violência nas estradas
Professor Doniseti


Uma coisa que muito nos chama à atenção é o alto índice de mortes provocadas por acidentes de trânsito nas estradas brasileiras. Um horror! Parece que a cada ano as pessoas vão perdendo a noção do valor da vida, desafiando a tudo e a todos, inclusive a própria morte.

Quando a estrada está ruim, cheia de buracos, culpa-se o governo que não dá manutenção, colocando em risco a vida dos motoristas e passageiros. Se a estrada está boa, o governo é igualmente culpado porque não garante uma fiscalização ostensiva nas rodovias brasileiras.
No primeiro caso, achamos que nossas autoridades têm que se empenhar sempre mais para recuperar as estradas, pois pagamos impostos para termos acesso a estes serviços. Logo é lícito o contribuinte reivindicar o direito de ir e vir por rodovias que ofereçam um tráfego seguro a todos. Além disso, uma malha rodoviária em boas condições representa um fator de desenvolvimento importante para o país.

No segundo caso, a polícia rodoviária salienta que fiscaliza com seriedade, usando a capacidade máxima, dentro das condições objetivas de trabalho de que dispõe. Todavia, apesar de todo o esforço da PF, o quadro é desanimador e nos assusta cada vez mais.

Os números de acidentes nas estradas nos deixam apreensivos, pois apesar das campanhas educativas, das autuações contra os condutores de veículo, do dinheiro gasto com pagamento de multas, a imprudência parece aumentar ano após ano. Em vez de os números alarmantes servirem de alerta àqueles que empreendem viagens, parece que pouco significam para eles, razão por que as estradas se tornam mais perigosas, por demais violentas. Com isso, coloca se em risco a vida de todos no trânsito, até daqueles que, mesmo dirigindo ou andando pelas vias, com cuidado, podem ser apanhados pela imprudência de outros.

Em meio a tudo isso, levantam-se vozes com as mais variadas opiniões. Uns para criticarem o governo pelas condições ruins de tráfego, nas estradas, outros para identificarem culpados, outros para protestarem contra os abusos ao volante e outros ainda para lamentarem a perda de um ente querido, vítima dessa violência.

Toda essa discussão é importante, mas além dela, precisamos questionar algo mais. As pessoas precisam se conscientizar de que a violência no trânsito só vai diminuir, se cada um fizer a sua parte. Em vez de críticas, ou de tentar transferir responsabilidades, é importante que os motoristas obedeçam às leis de trânsito que foram obrigados a conhecê-las, quando se submeteram aos exames que lhes possibilitaram a conquista da Carteira Nacional de habilitação. Se as leis já são conhecidas e se o objetivo delas é garantir a segurança no trânsito, teoricamente falando, não haveria necessidade de tanta fiscalização.

Estranho nos parece culpar a polícia federal por não exercer uma fiscalização mais rigorosa. Quando um condutor coloca um veículo nas rodovias, ele deve ter a consciência de que dirigir corretamente, sem abusos e sem excesso de velocidade, representa segurança para ele e para os demais que estão expostos aos perigos das vias. Só nós sabemos o valor da nossa vida, por isso devemos viver corretamente e não querer que outros nos fiscalizem e nos autuem por atos errados que praticamos contra nossa própria existência. Se nós não damos valor ao que temos de mais precioso, a vida, por que exigir que os outros nos punam para garantir a nossa própria segurança?

Não é certo também esperarmos ações mais rigorosas do governo, coibindo nossos erros. Temos é que fazer a nossa parte, manejando o volante com prudência e responsabilidade. Enquanto isso não acontece, vidas e mais vidas vão sendo ceifadas, desaparecendo-se do meio de nós. São as vítimas dos mais variados tipos de acidentes que ocorrem, principalmente nos dias de folgança coletiva (nos feriados), por causa do aumento do fluxo de veículos nas estradas. Vamos dar um basta à violência no trânsito, agindo com cautela, disciplina e sobretudo com respeito à vida.

Um comentário: