terça-feira, 29 de setembro de 2009

Relacionamentos

Dificuldades de relacionamento
Professor Doniseti

A grande dificuldade para um bom relacionamento interpessoal decorre do modo como cada sujeito processa a leitura das diferentes mensagens da realidade que o cerca. As contribuições da neurociência nos permitem aprofundar reflexões acerca desse importante assunto.

Para a neurociência, há pessoas que fazem a leitura da realidade a partir de imagens, outras a partir do que ouvem e outras, do contato físico. As pessoas visuais captam o sentido das mensagens a partir do que vêem. Elas se tocam quando algo lhe desperta a atenção através do olhar. Assim, o modo de se vestir, de se arrumar, uma lembrança material, mesmo sendo simples, mexem com a sensibilidade delas, significando alegria e bem-estar.

As pessoas que processam a realidade através do que ouvem, as auditivas, não são atraídas em primeiro plano pelas imagens, por mais belas e encantadoras que sejam. Para essas pessoas, o mais importante é o modo como as mensagens chegam aos seus ouvidos.

Além das visuais e das auditivas, há aquelas pessoas, cuja sensibilidade se desperta pelo olfato, paladar, ou pelo toque carinhoso como o aperto de mão, o abraço e outras carícias. Para esse tipo de pessoas, as cinestésicas, aquilo que é belo, ou a sua representação verbal é menos significativo do que estas outras formas de percepção da realidade.

Aprofundando um pouco mais na abordagem desse tema, vamos tecer algumas considerações sobre o relacionamento amoroso entre um homem e uma mulher. Nessa exemplificação, fica mais fácil demonstrar os conflitos e compreender as razões por que eles aparecem constantemente, desgastando a relação e dificultando a convivência do casal.

Muitas vezes, a mulher se arruma para esperar o marido, preocupando-se com cada detalhe, como maquiagem, traje bonito, penteado exuberante, querendo com isso demonstrar seu sentimento de amor ao marido. Este chega, não percebe a beleza de sua amada. Tudo o que ele deseja é tomá-la nos braços, acariciá-la e ser correspondido com as carícias dela.

Todavia, o que se observa é a frustração de ambos. Ele chega, tenta agradá-la com um beijo, com um abraço, mas ela não corresponde, vindo então o conflito. A mulher se entristece ao constatar que o marido nem notou o quanto ela se empenhou para, através da beleza, demonstrar o seu amor a ele.

Essa tristeza gera outros problemas: a mulher pode entender que o beijo do homem estragou-lhe a maquiagem, que suas carícias desarrumou seus cabelos e que os abraços amarrotaram-lhe a vestimenta. Por sua vez, o homem se sente rejeitado, uma vez que o beijo, as carícias e os afagos que desejava da esposa não aconteceram.

O contrário também pode ocorrer. O homem visual compra um presente, um buquê e leva para a esposa. Entrega-lhe as oferendas, ela recebe, coloca-as sobre a mesa, às vezes nem desembrulha o presente e vem acariciá-lo. Ele, desapontado, começa a pensar que a mulher não o ama, pois não deu o devido valor às flores e ao presente. Ela percebe o desapontamento do marido, entende como indiferença e falta de amor a ela.

Já, para o auditivo, o mais importante é a suavidade das palavras. O que é dito e como se dizem as coisas, demonstrando afeto, vale mais do que a beleza de qualquer presente, do que toda espécie de carícia. Importa aos auditivos a demonstração do amor, a partir da doçura de palavras amáveis e carinhosas.

A boa convivência do casal depende assim de um conhecer o modo como o outro processa sua realidade. A partir desse conhecimento, é possível descobrir a melhor maneira de um agradar o outro. Não conseguindo esse nível de conhecimento, a boa convivência torna-se um alvo cada vez mais distante. Talvez seja por isso que o sucesso no matrimônio ocorre, não quando se casa para ser feliz, mas quando um vive o casamento, procurando sempre a felicidade do outro.

Fora do casamento não é diferente. Nós conseguimos um bom relacionamento, desenvolvendo nossa sensibilidade para percebermos a melhor maneira de chegarmos até o outro. Não é difícil encontrarmos algumas pessoas enunciando popularmente o seguinte: “Eu me dou bem com fulano, porque descobri o seu ponto fraco.” Na verdade, não é bem isso. Ocorre que o enunciador chegou a um nível razoável de conhecimento do outro, a ponto de saber a melhor maneira de se comunicar com ele. O bom relacionamento então depende principalmente do nosso interesse pelo bem-estar e a felicidade do outro. Será que o nosso egoísmo, o nosso individualismo e nossas ambições pessoais nos permitem viver assim?

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