sábado, 3 de outubro de 2009

Criança

De volta à infância
Professor Doniseti



Não há coisa melhor do que ver na fase infantil a vibração e a pureza das crianças semeando entre todos a semente do amor e do bem viver. Para a criança, tudo tem razão de ser, principalmente a simplicidade das pequenas coisas.

Esse pequeno ser, muitas vezes indefeso, não tem maldade. Suas atitudes revelam o lado belo da vida. Isso não ocorre com o adulto que, na maioria das vezes, não confia no outro e, desconfiado, se arma para se defender contra tudo e até mesmo contra todos. Esse modo de ser adulto leva-o ao individualismo, ao isolamento, como se o ser humano pudesse viver solitariamente. Todavia a solidão sufoca o indivíduo, mata-lhe os sonhos e os desejos de uma vida feliz.

A criança não padece desse mal. Onde quer que esteja, ela encontra alguém ou alguma coisa que lhe proporcionam momentos de interação e de felicidade. Um simples objeto, um pequeno gesto, um brinquedo criado, na simplicidade de sua imaginação, são suficientes para alimentar-lhe os desejos e os sonhos mais importantes na construção de seu belo e infinito mundo.

O mundo infantil é sem limites, não tem fronteiras. Ele, não se separa, com barreiras, nem com pesadas artilharias. Independente da origem, a criança vê as coisas pelo que elas sugerem de bom, agradável e ameno.

Quando uma criança encontra outra, ela não quer saber se é rica, se é pobre, se é branca, amarela, índia, negra, ou mestiça. O encontro ocorre naturalmente, sem mistérios, sem preconceitos e sem discriminação. O processo de interação é real, uma vez que se dá de forma tranqüila, através do gostoso e insubstituível exercício de se interagir e brincar.

A criança é pura e verdadeira. E por ser verdadeira constrói momentos de intensa felicidade. Seu espírito solidário é marca registrada em seus relacionamentos. Se o coleguinha ou a coleguinha enfrentam dificuldades, ela está pronta a ajudar, sem fazer qualquer exigência e sem impor qualquer condição. Tudo ocorre espontaneamente, com desprendimento, sem segundas intenções, e com naturalidade.

A capacidade de aceitação é outro atributo importante que se observa na criança. Ela, atenta, está sempre disposta a aprender, a receber ensinamentos. Logo, precisamos ter cuidado com o que semeamos, pois, dependendo da semente plantada, podemos conduzi-la a caminhos pouco recomendáveis. Seu desejo de crescimento é grande, por isso ela se inspira em exemplos que acham interessantes e começam imitá-los em sua vida. Nesse ponto, os adultos precisam aprender com as crianças, sendo verdadeiros, sinceros, para influenciá-las positivamente, enquanto nelas se desenvolvem as estruturas mentais e psicológicas, formando-lhes a personalidade.

Muitas vezes criticamos a criança, querendo educá-la com palavras, sem percebermos que ela precisa mais de modelos a serem seguidos do que de admoestações. O exemplo e o testemunho de vida falam mais do que qualquer palavra, gesto, castigo ou repreensão. A criança não tem maldade. Sua vida se conduz com simplicidade afeto e amor. Esse é o segredo do bem viver, da boa convivência e da facilidade que ela tem de se relacionar com o outro.

A facilidade que a criança tem de se relacionar com o outro é algo que nos chama atenção, fazendo-nos refletir sobre nossas falhas, imperfeições e limitações humanas. Essa reflexão é importante, uma vez que nos permite rever atitudes e comportamentos, levando-nos ao tempo da infância, dando-nos condições de resgatar algumas coisas importantes que, com o passar dos anos, foram apagadas pelo tempo. Resgatar essas coisas faz bem, pois é como se encontrássemos novamente a vibração, a alegria e o desejo de construção de uma vida pequena simples e feliz.

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