sábado, 3 de outubro de 2009

Brasil

O Brasil tem jeito
Professor Doniseti


Por onde quer que andemos, surge sempre uma indagação recorrente, confundindo nossa capacidade de entendimento e inquietando a essência do nosso ser. Ou seja: o Brasil ainda tem jeito?

A princípio, não parece difícil uma resposta para esta questão, pois, de forma simplista, poderíamos dizer que sim, já que a melhoria do nosso país depende única e exclusivamente da conduta sincera, honesta e justa de seu povo. Eis aí o ideal que devemos buscar incessantemente para o bem de todos: uma nação constituída de um povo honesto, justo e solidário.

Para ser bom, cada pessoa deve amar o próximo verdadeiramente. Sabemos que praticar isso é tarefa bem difícil, pois o egoísmo e a ambição levam a disputas e a contendas, resultando muitas vezes dissidências, com danos irreparáveis.

As necessidades de sobrevivência de muitos e os interesses pessoais (e de grupos) de outros são evidentes, o que levam as pessoas a assumirem comportamentos refutáveis. Aqueles que realmente são necessitados usam isto como subterfúgio para justificar os deslizes morais. Os interesseiros não medem as conseqüências de suas práticas, quando querem a qualquer custo sucesso em seus empreendimentos sociais, políticos econômicos e profissionais.

Vários motivos poderiam nos levar a afirmar que o Brasil tem jeito sim, desde que coloquemos um fim aos freqüentes desvios de conduta que escandalizam a sociedade brasileira. São espetáculos horríveis, porém notáveis, que acabam tendo mais destaque do que a normalidade, ou seja, o comportamento exemplar.

Parece ser correto dizer que o ser humano se deleita com os espetáculos com os quais deparam no transcurso da vida. As coisas boas que acontecem, se são anunciadas, pouco repercutem, mas as ruins ocupam as páginas principais dos veículos de comunicação escrita, a tela das TVs e as ondas do rádio. Para nenhuma dessas modalidades comunicativas, falta audiência porque há receptores para todas, desde que o assunto seja abordado de forma espetacular.

Podemos entender a preferência do público pelos exageros na expressão dos atos de má conduta, analisando os acontecimentos comuns do nosso cotidiano. Se alguém é acusado de algum crime, mesmo que seja falsa, tal acusação ganha um destaque inimaginável. Porém, se o acusado prova sua inocência, o anúncio dessa informação não repercute, prevalecendo a força das denúncias, dos boatos até que o caso caia no esquecimento, sem apagar a imagem construída do acusado que, muitas vezes, continua carregando consigo o estigma de criminoso.

Muitas pessoas são injustiçadas, tem a sua imagem denegrida até que provem sua inocência. Mesmo provando inocência, é comum as pessoas duvidarem da verdade e continuarem acreditando nos boatos.

Por outro lado, os magnatas cometem crimes e pelo poder que tem nas mãos conseguem desqualificar a gravidade de seus delitos. Assim, quanto mais graves os crimes, melhores as oportunidades de o sujeito realizar um jogo de cena, que estampa os espaços da mídia com argumentos falaciosos, transformando sua imagem que, na cabeça das pessoas, começa a figurar um cidadão de boa índole.

Quando um poderoso é acusado, em vez de as denúncias denegrirem sua imagem, elas o ajudam, já que a imprensa, que sabe da preferência do público pelo espetáculo, encontra no fato a oportunidade de alcançar grande audiência, deixando o acusado tão em evidência que ele acaba se tornando herói; e, dependendo de seu desempenho na mídia, transita da condição de réu à de um santo, ou até mesmo a de um dramaturgo da cinematografia de Hollyood.

Infelizmente, assim caminha a humanidade e enquanto não houver uma mudança no comportamento humano, para o cidadão de bem, o Brasil continuará, apesar de toda sua riqueza, um país sem jeito. Cabe, pois, a cada um, envidar esforços para mudar essa realidade, deixando de ser atraído e manipulado pelos falsos atores que se divertem, iludindo a boa fé do povo, sendo, na vida, protagonistas de maus e horrendos espetáculos. Portanto, façamos alguma coisa! Ainda há tempo!

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