terça-feira, 29 de setembro de 2009

Gripe suína

Gripe suína
Professor Doniseti


No início, quando as badalações a respeito da gripe suína começaram, muita gente não levou a sério, achando que se tratava de mais um alarme para desviar as atenções dos graves problemas nacionais. Motivos não faltavam para isso, pois o vírus Influenza A (H1N1) chegou num momento em que havia “espíritos de porco” trocando farpas, uns fazendo acusações, outros buscando o livramento de processos motivados por “supostas” irregularidades cometidas.

A desconfiança dos primeiros dias acabou virando pesadelo. Aquilo que para alguns parecia exagero, hoje tira o sono de todos. Não há quem não se preocupe com a fúria desse “bicho” que ao ver um corpo enfraquecido, chega agressivamente para nele fazer morada e consumi-lo velozmente com a voracidade de sua virulência.

O que mais assusta a população mundial e, em especial, os brasileiros é o fato de esse Influenza A (H1N1) ser o mesmo que se espalhou por quase toda parte do mundo, nos idos de 1918 e 1919, caracterizando o que a literatura médica da época chamou de pandemia da gripe espanhola. Pandemia porque ocorreu em grandes proporções, em vários lugares, propagando-se por diversos países, enfim, pelos continentes desse planeta que nos oferece pouso para a vida e chão para rompermos firmes nas trilhas da sobrevivência.

A dispersão desse vírus, por ocasião da gripe espanhola, foi rápida. Identificado em março de 1918, na América do Norte, em Fort Riley, no Kansas, e em Queens, Nova Yorque, um mês depois já era notificado também na Europa. Em maio, a doença atingiu a Grécia, Espanha e Portugal. Em junho, a Dinamarca e a Noruega. Em agosto, os Países Baixos e a Suécia. Calcula-se que 80% das mortes da tropa americana que combatia na Primeira Guerra Mundial, que se achava estacionada na Europa, ocorreram devido a essa pandemia.

O desenvolvimento da doença, no início do Século XX, provocada pelo Influenza A (H1N1) passou por três fases distintas: a primeira, mais benigna, foi até agosto de 1918. A segunda, de muita gravidade, apresentou uma taxa de letalidade de 6 a 8%, e durou até dezembro ou janeiro de 1919. A terceira durou de fevereiro de 1919 a maio do mesmo ano.

O que mais nos assusta na questão do Influenza A (H1N1) é que ele sofre mutações, podendo-se transformar em algo perigosamente desconhecido do organismo humano, dificultando o desenvolvimento dos mecanismos de autodefesa, podendo contagiar outras pessoas por meio do espirro, tosse ou contato físico.

O Influenza pode ser dividido em três tipos: A, B e C. O tipo A subdivide-se ainda em vários subtipos: H1N1, H2N2, H3N2 e H5N1, responsáveis por grandes epidemias e pandemias mundiais. Este último, por exemplo, hospedeiro de aves, mas que pode infectar também diversos mamíferos, foi o causador da gripe aviária, que causou grandes estragos, no ano de 1997, em Hong Kong e em 2003, no Sudeste da Ásia, levando ao óbito pelo menos 246 pessoas no mundo.
Felizmente, a gripe aviária ainda se mantém longe, mas como se trata de um vírus de fácil adaptação e mutação, há possibilidades de ela chegar até nós, já que seus hospedeiros principais são os pássaros selvagens que podem, num dado momento, desafiar a biodiversidade do nosso planeta, enfrentar a magnitude de nossos oceanos e migrarem do velho continente para as Américas.

Fato é que precisamos continuar mobilizados, atentos e vigilantes em relação a esse Influenza A, pois doravante não se pode prever a forma de seu desenvolvimento. O que se fez nesse primeiro momento não vai evitar a presença do vírus entre nós, mas nos dará condições de convivermos com essa realidade de forma mais consciente. Não podemos continuar com aquela idéia de que “isso não acontecerá comigo”. Ninguém está imune. Precisamos seguir as recomendações dos médicos, de nossas autoridades em saúde e colocarmos em prática tudo que aprendemos no sentido de combatermos essa gripe medonha.

Sendo o Influenza A (H1N1) uma doença respiratória aguda, transmitida de pessoa para pessoa, principalmente por meio de tosse, espirro ou contato com secreções infectadas, alguns cuidados se fazem necessários, ainda mais considerando que seus sintomas são os mesmos da gripe comum. Portanto, quando depararmos com alguém com febre, tosse, dor de garganta, dores musculares, coriza, diarréia, vômitos, irritação nos olhos e dores abdominais, devemos agir imediatamente, em busca de socorro médico, ou de outros procedimentos recomendados à preservação da saúde do enfermo e daqueles que compartilham o ambiente com ele.

As pessoas com sintomas de gripe devem permanecer em casa, fugindo dos espaços coletivos e dos contatos físicos. Não devem compartilhar vasilhas, objetos, ou alimentos e sempre usar máscaras, impedindo assim que o vírus se exale e se propague livremente, adoecendo ainda mais as vidas humanas espalhadas pelos confins da terra. Na falta de máscaras, não se deve levar a mão à boca, ao nariz, ante a manifestação da tosse ou do espirro e sim utilizar lenço de papel descartável, como medida de proteção para todos.

No mais, precisamos fazer uso de uma alimentação saudável à base de suco de frutas, água filtrada ou mineral, água de coco, cereais, verduras e frutas, sem descartarmos o arroz, o feijão, a carne e outros alimentos indispensáveis a uma nutrição saudável. Ademais, precisamos conservar os ambientes arejados e limpos, além de cuidarmos bem da higiene pessoal, principalmente nos habituando a lavarmos as mãos frequentemente, utilizando sabonete, de preferência, líquido.

Finalizando, não devemos levar uma vida em pânico, mas também não podemos esquecer que a gripe espanhola matou aproximadamente 40 milhões de pessoas, em apenas 18 meses, no início do século XX, o que correspondia a 5% da população mundial da época. Nesse momento, toda cautela é importante. Embora canja de galinha e carne suína não represente nenhum risco de morte aos consumidores, devemos seguir em frente, sem desespero, todavia, tratando com seriedade essa gripe, pois como se vê, o “bichinho” é fera.

Um comentário:

  1. delzita(sua aluna do cursinho)29 de setembro de 2009 às 23:06

    poxa vida hem professor!vc q é fera tambem,parabens.Eu quero aprender muito mais com o senhor ok.

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