terça-feira, 29 de setembro de 2009

Leitor dorminhoco

Leitor dorminhoco
Professor Doniseti

Muitas são as finalidades da leitura, dentre as quais destacamos a leitura recreativa, prazerosa, a que visa à busca de informações e a que se realiza para o estudo e a exploração de um texto em seus principais aspectos e possibilidades de entendimento.

A leitura prazerosa representa a satisfação imediata do leitor que, livre e espontaneamente, faz dela um lazer, para a satisfação de seus desejos pessoais mais imediatos. Desse modo ele se relaciona com o texto de maneira específica, num momento bem seu, individualizado, e circunscrito aos limites de suas intencionalidades. Por isso é tranqüila, não apresenta problemas, uma vez que age na satisfação de um desejo de fórum íntimo.

A leitura que busca informações, ou conhecimentos já adquiridos, precisa ser orientada e acompanhada de questões relativas às informações que se deseja obter do texto lido. A leitura, então, deixa de ser lazer, exigindo do leitor uma capacidade de análise, de fazer relações entre o que lê e o contexto social, histórico, a que o texto nos remete. Neste sentido, a leitura se torna um pouco mais complexa, exigindo do leitor um grande esforço para superar tal complexidade.

Em relação à leitura para fins de estudo, é muito importante ler, fazendo uma síntese esquemática das idéias principais do texto. Assim, numa primeira leitura, o sujeito entra em contato com o texto, tendo dele uma visão geral. Numa segunda leitura, ele deve destacar os pontos ou as idéias mais importantes. Depois deve relacionar os tópicos principais e escrever frases curtas ou expressões que traduzam a essência de seus significados. Com esta finalidade, a leitura exige do sujeito uma ação, em seguida, uma reflexão sobre o texto em análise, depois uma nova ação sobre ele, num processo de interação constante e, conseqüentemente, de produção de conhecimentos.

No que concerne à segunda e principalmente a terceira finalidade da leitura, observa-se que muitos leitores dormem, enquanto lêem, daí a razão de tantas questões e julgamentos como: que foi mesmo que li? Este texto fala de quê? Não gostei do texto, o autor é muito confuso! Em verdade, o que ocorre, muitas vezes, é o estado de sono em que se encontra o leitor, no instante em que processa sua leitura.

Por falar em leitor dorminhoco, é interessante observar o comportamento daquele leitor abnegado que desenvolve o hábito de ler confortavelmente. Ou seja: dormindo.

Ao pegar um texto qualquer ou um livro, o leitor logo procura um sofá, ou uma cama, alguns travesseiros, se estiver um pouco frio, um cobertor, e começa o gostoso exercício de viagem sobre o mundo do livro, ou melhor, do sono.

No início, o leitor se deita de costas sobre a cama, ou sobre o sofá, cruza as pernas, apoiando uma sobre a outra, com os braços meio estendidos, sustentando o livro, ou o texto. Depois de uns cinco ou dez minutos, os braços reclamam um breve descanso.

O leitor, então, sensível aos apelos corpóreos, resolve dar um descanso aos braços que desfalecem resignadamente. Aí, o abnegado leitor vira de bruços, chega à beira da cama, coloca o livro no chão e continua a leitura de cima para baixo. O corpo meio atravessado na cama, o pescoço um pouco estendido, os braços encolhidos, debaixo do corpo, e os olhos alongados, inicialmente, na direção das páginas escritas, depois, no sentido vazio do sono.

Apesar de tudo, devemos respeitar esse leitor pela sua persistência. Mesmo sabendo que vai dormir, ele continua tentando realizar sua atividade de leitura da forma mais confortável possível. É um herói, não acha?

Por fim, é importante alertar que, antes de realizarmos qualquer tipo de leitura, é preciso acordar o leitor que adormece na interioridade de cada ser. Só um leitor desperto pode tirar proveito de tudo que lê. Se não é possível fazer de todo tipo de leitura uma atividade prazerosa, é preciso fazer da leitura de todos os gêneros textuais um hábito.

No mais, uma boa leitura a todos!

Nenhum comentário:

Postar um comentário