quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Paz

A luta pela paz
Professor Doniseti



Nos últimos dias, tenho dispensado importantes momentos para pensar sobre a paz, esse bem precioso que tanto almejamos e pelo qual tanto lutamos.

Há diversas maneiras de atuação das pessoas que buscam a paz. Há quem queira alcançá-la através de orações, de ações beneficentes, de aconselhamentos, da prática do diálogo e do proselitismo acerca das boas intenções. Em todos esses sentidos, muitas coisas acontecem, mas, na prática, os resultados não aparecem. A paz continua sendo um alvo cada vez mais distante e por isso mais desejado.

Quem age impregnado de boas intenções, sem transformá-las em ações concretas, pouco contribui para que a paz se torne realidade entre as pessoas. As boas intenções, no imobilismo pessoal, não provocam mudança de comportamento, nem da própria pessoa que diz ser bem intencionada. Das boas intenções, o mundo vive repleto e quanto mais cheio delas, mais conflitos e menos sentimento de paz.

Não sendo as boas intenções o bastante para uma vida amena e agradável, é preciso lançar mão da prática do diálogo. A arte de dialogar, base dos relacionamentos inerentes à natureza humana, precisa ser exercitada com critério, devendo o falante e o ouvinte tomar cuidado com o que falam e com o modo como falam, pois qualquer leitura que resulte de um mal-entendido será motivo de afastamento da possibilidade de conquista da paz.

O exercício do diálogo deve então ser fruto de uma ação consciente, para que a conversa produza efeitos favoráveis ao desenvolvimento do bem viver. Se não for uma ação racional, a conversa pode se transformar numa violência verbal, provocando marcas profundas e dificultando as diversas possibilidades de relacionamentos.

Não basta, pois, querer dialogar. É preciso saber como e quando fazê-lo. A prática do aconselhamento é importante, todavia há diversos fatores e variáveis que interferem em seus resultados. Quem aconselha deve ter um diferencial que inspire credibilidade, senão a pessoa aconselhada pode não dar atenção ao que é dito, já que não vê, no conselheiro, qualquer coerência entre o sentido de suas palavras e o seu testemunho de vida pessoal.

As ações beneficentes são imprescindíveis, desde que realizadas com amor e sem segundas intenções. É nessa hora que se evidenciam a disponibilidade e a liberalidade de quem demonstra desejo de trabalhar pelo semelhante. Muitas vezes temos que abrir mão de um momento de descanso, de lazer e nos colocar a serviço de outrem. Há momentos também que precisamos abrir mão de adquirir algo pessoal e fazermos investimentos em favor do bem comum

Não basta, pois, o sujeito realizar algo aqui e ali, pensando que isto seja suficiente para a promoção da paz. Muitas pessoas vão às ruas, gritam frases de efeito, mas, no dia-a-dia, se comportam de forma indevida, complicando os relacionamentos. O agente pacificador deve ser compreensivo, solidário e amoroso. Deve ter maturidade para encarar os conflitos, buscando com sabedoria e humildade, as soluções adequadas. Deve estar pronto para ajudar a quem pede socorro, sendo proativo, humilde e corajoso. Deve viver pensando sempre na felicidade do outro, sem hipocrisia, egoísmo, ou vaidade. Deve ter maturidade para encarar os problemas com que depara, buscando resolver os conflitos que enfrenta no dia a dia. Deve proferir palavras sábias, que edificam, que não violentam. Deve ter uma vida limpa, sincera, honesta e transparente diante de todos.

No que se refere às orações, devemos considerar o seguinte: elas são importantes, sim; mas como semear o sentimento de paz entre pessoas que muitas vezes padecem com a falta de equilíbrio emocional, de alimentação, de saúde e de tantas coisas indispensáveis à preservação da vida? Se alguém está doente, precisando de assistência médica, qualquer passo que dermos nessa direção representará alívio e segurança ao enfermo. Para quem está com fome, um prato de comida é que vai acalmar-lhe o espírito incomodado pela falta de alimento. Quem não está bem emocionalmente precisa de um ouvido amigo, de um ombro acolhedor, de palavras doces, amáveis e carinhosas para lhe acalentar a alma. Após uma ação nesse sentido, sem dúvida, a oração fará a diferença.

Como se vê, a luta pela conquista da paz realmente não é fácil. Ela deve ocorrer primeiro no plano individual. A partir do momento em que o indivíduo se conscientizar de que é preciso ser bom para semear o bem e lutar pelo desenvolvimento da bondade interior, daremos um passo importante na direção de um mundo melhor. Assim, poderemos agir como sujeitos do processo de construção da paz que desejamos.

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