quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Crise mundial

Reflexo da crise mundial
Professor Doniseti


O cidadão brasileiro que, nos últimos meses, se encontrava perplexo diante de tantos desencontros de opiniões sobre os reflexos da crise mundial, em nosso país, agora respira um pouco aliviado. Embora ela continue afetando alguns setores da economia, percebe-se que de um modo geral as autoridades brasileiras demonstraram competência em administrá-la, mantendo-a sob controle.

A crise rugiu forte, ameaçando, principalmente, o pobre trabalhador brasileiro que vivia um clima de otimismo em relação ao crescimento do Brasil: aumento do número de empregados, elevação do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), resultados dos programas sociais e das políticas públicas destinadas à população de baixa renda do país.

Mas a crise financeira americana chegou e tudo aquilo que ia bem, por alguns meses, quase ano, deixou de ser verdade, dando lugar à perplexidade, às preocupações e ao pessimismo. À medida que os dias se passaram, o cidadão brasileiro viu aumentadas suas dúvidas e preocupações. A retórica de cada autoridade que se manifestava sobre o assunto servia mais para marcar posições do que para esclarecer o cidadão comum que se achava ávido por verdadeiros esclarecimentos. Uns diziam que a crise ameaçava, logo precisávamos de cautela. Outros diziam que ela não produziria efeitos danosos ao Brasil, uma vez que a economia brasileira se alicerçava em bases sólidas, logo era capaz de resistir à fúria da monstruosa crise que rugia, embalada pela potência (ou impotência) do imperialismo norte-americano.

A confusão na cabeça das pessoas aumentava porque apareciam alguns exagerados, aterrorizando a todos, anunciando catástrofes de toda ordem. Havia também os menos exacerbados que apreciam na mídia, alertando sobre os riscos do endividamento e que, por isso, deveriam evitar as compras. Por outro lado, vinha o governo exortando que todos comprassem, pois se o consumidor saísse de cena, o comércio não venderia, não compraria da indústria, que passaria a produzir menos. E a conseqüência de tudo isso seria o desemprego.

Difícil foi saber quem estava com a razão. Fato é que a crise incomodava muito a vida daqueles que, historicamente, sempre pagaram o maior preço em momentos de grandes dificuldades financeiras, o pobre, mas heróico trabalhador brasileiro. As férias coletivas combinadas com a redução de turnos de trabalho nas grandes empresas deixavam claro que o cenário era totalmente desfavorável ao trabalhador naquele momento. Não se sabia se tais medidas eram provisórias, ou se elas trariam como conseqüência a demissão de muitos, no instante de retornarem aos seus postos de trabalho.

Verdade é que a sociedade brasileira não conseguia mensurar a real dimensão da crise, mas sentia que não havia mais como negar seus medonhos efeitos. Disso ela estava convencida. Faltava a ela se convencer de que havia uma união de forças das autoridades brasileiras para buscarem saídas menos traumáticas para todos.

Felizmente, podemos hoje respirar com mais tranqüilidade, pois parece que o pior momento já passou. Logo, se cada autoridade, se cada cidadão de bem, abrir mão de suas vaidades pessoais, deixando de querer tirar proveito desse momento em benefício próprio, será possível retomar o crescimento da economia brasileira, equilibrando as finanças do país, impulsionando assim o seu desenvolvimento. Para isso, precisamos agir com a devida seriedade, sem pessimismo, mas também sem excesso de otimismo, seguindo em frente, sempre com os pés calcados na realidade.

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