terça-feira, 13 de julho de 2010

O caso Bruno e Eliza

O caso Bruno e Eliza

O assassinato da jovem Eliza Samúdio, com o envolvimento do goleiro Bruno Fernandes, do Flamengo, revela requintes de muita crueldade, deixando-nos perplexos, sem sabermos se estamos diante de cenas reais ou de ficção. As ações dos criminosos são macabras, tão hostis quanto aquelas dos personagens violentos que desfilam em novelas e em telas cinematográficas do Brasil e do mundo. Um crime realmente bárbaro para o qual não há justificativa.

A trajetória dos homicidas começou com o seqüestro de Eliza, no Rio de Janeiro, sendo depois trazida para Minas e mantida em cárcere privado, onde começaram as sessões de tortura até a jovem ser levada impiedosamente ao corredor da morte.

As investigações até o momento revelam que Bruno foi o mandante do assassinato da moça. Banais são os motivos que levaram o goleiro a agir com tamanha brutalidade; ou seja, a recusa em fazer o exame de DNA para o reconhecimento da paternidade do filho de Eliza e, consequentemente, o pagamento de pensão.

O que não dá para entender é como um atleta de renome, com um salário de R$200.000,00, mais patrocínios milionários pode jogar tudo por terra, simplesmente para não cumprir o que a legislação brasileira estabelece para a proteção e guarda daqueles que nascem sem deverem nenhuma culpa. Nesse caso, qualquer tipo de acordo, por mais dispendioso que fosse para o goleiro Bruno, seria o paraíso, em comparação com o lamaçal em que ele se encontra agora.

À medida que os dias seguem o curso do tempo, a situação do atleta se complica cada vez mais. O silêncio dele evidencia culpa, já que, para a sociedade, não há mais dúvidas sobre seu envolvimento no caso. Se ele abre a boca, suas palavras soam evasivas e não apresentam nenhuma consistência, nem poder de convencimento.

Chama atenção, nesse fato, a brutalidade como tudo ocorreu. Pelo que se sabe até agora, Eliza foi espancada, torturada até o ponto de não resistir mais; depois foi esquartejada, dilacerada e teve parte de seu corpo atirada aos cães. Não é possível imaginar tamanha monstruosidade. Só acreditamos em tal barbárie porque as evidências não nos deixam dúvidas.

Embora os advogados de defesa dos criminosos esbocem estratégias e argumentos contrários à participação do Bruno no homicídio de Eliza, nenhum cidadão de bem vai acreditar na inocência do goleiro. Se ele for liberto da carceragem, ficará o sentimento de impunidade e uma vez mais seremos forçados a crer que o dinheiro compra a condenação dos ricos e poderosos, por mais grave e cruel que possa ser o crime por eles cometido.

Desde o início, a saga dos investigadores nos revela a frieza dos assassinos que premeditaram o crime. Os passos dos criminosos nos deixam estarrecidos; são cenas inimagináveis que revelam a incomensurável maldade humana. Só mesmo uma motivação muito forte levaria uma pessoa com tal projeção no mundo do esporte a agir de maneira tão diabólica, tirando a vida de alguém, aos poucos, por meio de espancamento, lesões corporais e estrangulamento.

Pensando assim, torna-se difícil acreditar que sejam a recusa do Bruno em reconhecer a paternidade do menino e o pagamento de pensão, as causas que levaram tragicamente ao fim a vida de Eliza. Se Bruno estava certo de que não era o pai da criança, não haveria nenhum problema em comprovar essa hipótese pelo teste de DNA. Mas caso o exame fosse positivo, a própria justiça resolveria o caso, comunicando-lhe a sentença. Era só uma questão de tempo.

Essas motivações, portanto, não justificam tal crueldade que faz emergir, nas páginas da mídia, as imagens tenebrosas dos assassinos, manchando vergonhosamente a história da humanidade e em especial a sociedade brasileira. Dada à complexidade do fato, não sabemos se a verdadeira causa dessa morte macabra virá à tona com as investigações policiais que estão em curso. Entretanto, uma coisa é certa: ao contrário do que pensou Bruno, a morte de Eliza não pôs fim ao seu tormento. Claro que, para ele, foi a queima de um arquivo que poderia colocá-lo em situação difícil, já que há evidências de que o sítio do goleiro, em Esmeraldas, se prestava a algumas atividades por demais comprometedoras.

Como se vê, esse crime, a exemplo de tantos outros, também não foi perfeito. Ele deixou algumas pistas que, ao final das investigações, podem revelar muita surpresa, inclusive esclarecendo outras ações criminosas, envolvendo o goleiro Bruno, seus funcionários, atletas amigos e pessoas que, de um modo ou de outro, participaram deste esquema armado para o sacrifício de Eliza.

Enquanto isso, o goleiro fica impedido de continuar sua carreira de atleta bem sucedido, perdendo a oportunidade de alçar vôos mais altos com destino a outros grandes clubes do futebol mundial. Foi uma pena! Infelizmente, o Bruno esqueceu a bola para se ver livre de Eliza e, por conseguinte, perdeu a liberdade, as mordomias e, quem sabe, o dinheiro e o mundo. Foi uma péssima escolha. Todavia, o que se fez feito está. Só nos resta agora clamar por justiça para que outros crimes, especialmente bárbaros como esse, não voltem a acontecer.

2 comentários:

  1. muito bom seu texto,voÇê descreveu os fatos muito bem...parabéns

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  2. Não é bem oq estou procurando, pois preciso de fatos mais a fundos. Mas vc esta de parabéns, ótimo texto.

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